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...equipe - Marcos Corrêa

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Poética de trabalho: Imagens da Quimera

Desenvolvemos junto ao Grupo Moitará um trabalho de continuidade, que chamamos de design integral, desde 1999. Partindo deste princípio e dentro de um modus operandi muito particular, estivemos envolvidos desde o início da concepção do espetáculo, desde suas leituras e pesquisas iniciais, coletando afetos e gerando conceitos. Este envolvimento foi um fator determinante para a coerência e qualidade do projeto. Ao pensar o espetáculo "Imagens da Quimera", tivemos como base:
• o estudo poético dos elementos: terra, fogo, água e ar;
• a particular história onírica de Mitoa;
• o princípio essencialmente feminino que o espetáculo carregaria;
• as questões de dualidade (vida/morte, novo/velho, sonho/realidade, áspero/suave), menos na visão maniqueísta de oposição do que no sentido de complementaridade e interdependência;
• as simbologias de transformação;
• o estudo formal dos movimentos orgânicos.

Questões complexas, projeto desafiador. Como representar tão vasta gama de afetos? Simples: não representando. Sugerindo. Desta forma trabalhamos em consonância com a dramaturgia que o diretor, Venício Fonseca, defende: sugerir, não explicitar. "Definir é matar, sugerir é criar" dizia (também) Mallarmé. O diretor, as atrizes e toda a equipe tinham o desafio de moldar esta "cena-poema". O nosso desafio era tentar desenvolver a "imagem-poema", que sugerisse, sinteticamente, esse universo conceitual. E ainda, analiticamente, desenvolver - no programa do espetáculo - uma narrativa poética, com textos, fotos, lembranças e olhares.

Dentro do universo gráfico-visual que desenvolvemos junto ao Moitará, é muito importante a presença da imagem desenhada, a pintura, a ilustração, a mão, a artesania. Este direcionamento é um reflexo do modo peculiar com que Moitará lida com o universo da máscara teatral. Neste projeto específicamente, a base da imagem principal (uma ilustração à pastel seco) é uma representação das duas personagens onde o aspecto de complementaridade é sugerido pela composição. O título é apresentado na vertical. Os formatos de todas as peças também são verticais e alongados. Neste aspecto, o projeto se aproxima de uma forma algo "oriental", muito mais como sugestão do que uma direção estética. Um outro elemento muito importante é a imagem da borboleta, presente em pequenos detalhes do projeto. Vital dentro do universo do projeto por suas simbologias de transformação e de feminilidade.

Nas páginas do programa, experimentamos trabalhar os aspectos de organicidade (linhas e movimentos) dos elementos naturais (terra, fogo, água e ar) através da narrativa visual, sem prescindir da objetividade da informação. Da textura do papel ao desenvolvimento da paleta de cores, cada detalhe foi cuidadosamente pensado e trabalhado através da poética do sonho, do devaneio, que permeia todo o espetáculo.