

Minhas primeiras impressões deste espetáculo surgiram da pesquisa que o Moitará vem realizando, há alguns anos, com a Máscara Teatral, sobre personagens-tipos brasileiros que pudessem sintetizar, em suas características, uma visão particular e universal. Eu vislumbrava que a história a ser representada seria construída pelos próprios personagens numa colaboração entre o ator e o encenador. A partir daí, abriu-se um leque de reflexões que deu origem a um processo de criação: quem seriam esses personagens-tipos? De onde eles vêm e para onde vão? Quais são os seus desejos, necessidades e paixões? Foram dessas indagações, entre outras, que nasceram as Máscaras deste espetáculo. Agora, cabia aos atores encontrar o espírito desses personagens-tipos e caminharem juntos na direção indicada. Sabíamos, portanto, que havia uma longa estrada a ser explorada e que precisaríamos de coragem para seguir transformando, criando, trocando isto por aquilo,... Algumas das referencias básicas que tínhamos eram, sobretudo, os elementos da cultura popular brasileira, com suas festas tradicionais, e os arquétipos e gênero da Commedia Dell’Arte. Eu seguia junto, solidário, encorajando-os no caminhar, colhendo resultados como se fossem pedrinhas preciosas que serviriam de oferendas... A cada passo um novo desafio que exigia de todos um exercício de generosidade, e assim fomos nós: caminhando, “caminhandando”, lembrando dos Arlequins, dos Mateus, dos Malazartes e Catirinas, dos cantadores e boiadeiros desse nosso sertão, e de todos que fazem parte deste qüiproquó, na divisão do sagrado pão-de-ló temperado por Mirola.